Este conto pertence a um amigo, Denis Eduardo, BEATNIK por excelência. Ele disse que um dia para com essa vida, afinal todo mundo morre algum dia. Vida longa então, oras! Um conto palpável, cheio de imagens, texturas e cores! Um reduto que eu também quero freqüentar. Aproveitem!
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Começo escrevendo, caro leitor, o porquê de começar essa história. Percepção!!!, “Percepção instantânea”; o ato de captar alguma coisa no ar para você matutar e matutar, tornando- nos o que eu considero uma classe privilegiada; tão privilegiada que somos capazes de surpreendermos até mesmo o nosso ego. Mas houve um tempo em que nem todos eram assim, até que Victor ultrapassou essa barreira.
Na cidade de Cozmay (lê-se cosmai), Victor era aquele típico filho exemplar: ótimo aluno, romântico namorado, querido por todos...; porém, possuia um pequeno defeito: gostava da boemia. Naquela época, um menino de 26 anos não poderia fazer algo tão grave assim. A sociedade repudiava, e muito; inclusive os seus amigos. Após perceber que até seus amigos o excluiam, Victor decidiu “desaparecer” um pouco, pois esse era o único meio pelo qual ele seria procurado. Suas “desaparecidas” eram sempre para a casa de seu tio Donadôn , que morava em Siat (cidade próxima a Cozmay).
Donadôn era o irmão mais novo da mãe de Victor. Tinha 37 anos e era casado com Telma. Sua casa era o local ideal para a leitura de um livro, para a prática de estudos, para ouvir músicas, enfim, para uma série de coisas legais. As alternâncias entre Cozmay e Siat estavam tornando Victor em , por incrível que pareça, uma pessoa mais culta. Ao decorrer do tempo, ele carregava consigo cada vez mais e mais “íngüas” relacionadas aos acontecimentos da vida. Ficava indignado com os fatos que se sucediam naquela sociedade.
Até que certo dia, Victor estava em sua casa, sentado em sua poltrona reclinável, serena e aconchegante, lendo uma revista, quando subtamente ouviu-se um som. Um som Árvido e irritante; tão irritante quanto aquele encômodo causado pela olvidez de uma palavra no meio de uma conversa, sabe? Pois bem, ouvia-se, mas não sabia de onde vinha. Victor levantou-se da poltrona e foi a procura do som para interrompê-lo. Na mesma hora, toca seu telefone: Trim! Trim!... Trim! Trim!
- Alô? Quem é?
- Victor, sou eu...Willian
- Tudo bem Willian? Como...
Victor, cale a boca e ouça: saia já daí. Estou em frente a sua casa lhe esperando. Interrompe Willian com uma voz bastante ansiosa, desligando o telefone posteriormente.
Rapidamente Victor se trocou (em meio aos ruídos nauseantes), pegou seus pertences e saiu em disparada. Chegou ao portão e avistou Willian, que já estava a sua espera.
Vamos? Pergunta Willian
Pra onde? Interroga Victor.
Apenas entre no carro.
Ao entrar no carro, iniciaram-se as explicações:
Victor, há muito tempo, um homem chamado Stansky Poslavk, foi capaz de superar a barreira entre o real e o imaginário. Ele descobriu que nós não vivemos nessa vida, e sim, somos apenas seres subordinados, quase comparados a uma mercadoria.
Hã? Indagou Victor.
Sim, somos fruto de um experimento que toma conta de vidas humanas. Através de um Tilly, eles são capazes de influenciar as pessoas a tomarem decisões. Mas isso não ocorrerá conosco, pois fomos selecionados a viver no Reduto Poslavk.
-Ainda não entendi. Reafirma Victor
- Então veja você mesmo. A uns 4 km dali, havia uma ponte que ligava Cozmay a Siat. Willian dirigiu seu carro até a parte inferior da ponte, onde residiam alguns inativos, vagabundos. Desceram do carro e Willian gritou para uma das crianças que estavam brincando com uma família de cães sarnentos: - Qual seu nome?
- Luan. Respondeu a criança.
Willian então repete a pergunta: - Qual seu nome?
Antes mesmo do menino responder, willian sacou um objeto muito parecido com uma medalha e mirou em direção aos olhos do garoto. Uma luz muito brilhante apareceu e ofuscou momentaneamente a visão de Victor. Depois de um tempo ele percebeu que a luz era uma passagem, só não sabia para onde ela levava.
Vamos Victor. Venha conhecer o Reduto Poslavk. Não tenha medo, confie em mim. Diz Willian, passando muita confiança a Victor.
Ao entrar na passagem, ele viu um corredor branco, mas havia um som (o mesmo que ele havia ouvido em sua casa, porém, com o volume cada vez mais alto) que o ensurdecia. Até que... PZIU! Um estouro estrondecedor; seguido de um silêncio absoluto, irreconhecível. Ao voltar a si, Victor se encontrou em uma fila indiana com milhões e milhões de pessoas. A fila era protegida por uma gosma gelatinada de tonalidade azul (semelhante ao azul do fogo) e fora da gosma... um breu!, um nada.; um nada “inimaginável”. Era impossível avistar o fim daquelas camadas. Suas filas eram infinitas. Lateralmente, notou que existiam mais duas camadas idênticas à que ele estava. A sua esquerda, estava ele (sim, ele mesmo), só que com 10 anos. Espanto! Victor acenou..., o chamou..., porém, o Vick (apelido de infância) estava intacto, rígido como um colosso, olhos fixados na nuca do menino a sua frente. A sua direita haviam homens e mulheres com panos escuros sobre a cabeça, impossibilitando a visualização de suas faces; mas Victor nem prestou muita atenção, pois estava bestificado com aquele cenário.
O que é isso? Como eu vim parar aqui? Pergunta ele para si próprio.
De repente, uma fenda aparece por trás da gosma. Parecia um pergaminho enrolado, do tamanho de uma perna (na posição horizontal). O pergaminho se desenrolou, fazendo um barulho semelhante ao de um esmiríl, transformando-se em uma porta, onde do outro lado se encontrava Willian. Willian estava diferente. Estava ruivo e trajava uma malha de cetim cinza que lhe cobria todo o cadáver.
- Saia da Lóren e venha conhecer o Reduto, Victor. Disse Willian.
Ao cruzar a porta, Victor agora tinha seus cabelos ruivos e trajava uma malha de cetim amarela. Descobriu que as cores das malhas baseavam-se nas preferidas de cada um. O lugar era estranho. Um lugar onde todas as cores eram fracas e sem muita tonalidade. Um horizonte interminável estava a sua frente. Ao seu lado, pequenos poliedros juntos, formavam uma espécie de república. Uns 20 poliedros para cada lado. Dentro das “repúblicas”, somente pessoas ruivas com malhas variadas.; Não havia sol. O tempo era nublado e opaco. Ouvia-se apenas ruídos incessantes parecidos com o som emitido pelo estralo dos dedos.
- Que som é esse? Questionou Victor, com seus pensamentos trafegando em sentidos desgovernados.
- Este é o Reduto Poslavk. É aqui que nós, Auris, vivemos.
- Nós? Auris? Hesitou Victor
- Sim. Auris são as pessoas capazes de descobrir, através da sabedoria, o Reduto Poslavk. Somos também os responsáveis pelo desenvolvimento do Harmmabin dos Djelwrys. Harmmabin é o mesmo que Q.I.; já Djelwrys são os habitantes da Lóren, ou seja, são as pessoas que vivem na sociedade hoje. ( todos presentes naquela fila).
- Certo, mas o que é uma Lóren? Questiona Victor.
- É cada uma daquelas camadas cubulares e gosmentas que você viu antes de chegar no Reduto. Elas privam os seres humanos de raciocinarem por si só. A Lóren é o exímio meio pelo qual o Tilly influencia toda a sociedade, tomando conta de todas as mentes. Esses subordinados são chamados de Djelwrys.
- E o que é um Tilly? Novamente questiona Victor.
- É um ser malígno que deseja comandar o Reduto, assim, ele teria total condição de persuadir qualquer ser humano, até mesmo nós Auris. O Tilly é o ser mais inteligente de todos e se ele conseguir o domínio sobre os Auris, as sociedades virarão ruínas. Mas não se preocupe, pois é pouco provável que ele domine nossas mentes.
- Então quer dizer que eu sou um Auri porque consegui me libertar da Lóren através de minha sabedoria?
- Exato!; seja bem-vindo ao Reduto! conclui Willian.
Victor ainda não havia se acostumado àquele ambiente de clima tosco e som desagradável, mas, naquela hora, ele sentia um orgulho muito grande de si mesmo. Havia um Glamour em seu olhar. Victor estava feliz e triste: feliz por conseguir provar para si o próprio valor, e triste porque gostaria que Donadôn estivesse ali presente.
Agora entendida toda a trama que envolve Lórens, Djelwrys, Auris e Tilly, Willian e Victor continuaram andando pelo Reduto. Durante a caminhada, Victor surpreendeu-se ao ver pessoas famosas ( todas ruivas)como: Albert Einstein, Bob Marley, Che Guevara, Elvis Presley, o Papa, Santos Dummont, entre vários outros. Mas o que mais chamou a atenção foi que, logo ali, dentro de um poliedro, estava nada mais nada menos que Adolf Hitler. Hitler não era apenas um Auri, era sim um dos que mais conseguiam converter Djelwrys em Auris. Uma enorme dúvida pairou sobre a cabeça de Victor, até que ele, já inquieto, interrogou:
- Como Hitler é um Auri se ele foi um dos maiores aniquiladores de todos os tempos?
- Hitler sempre foi uma pessoa de altíssimo Harmmabin. Isso fez com que todos os seus planos funcionassem. Mas como ele conseguiu tanto apoio? Simples, Hitler elaborava seus planos juntamente com a alta cúpula ariana, que na verdade eram protótipos do Tilly. Os protótipos estão presente na Lóren não só como pessoas, mas também como objetos, animais, músicas, etc. Esses protótipos são os responsáveis pelas influencias das sociedades, tornando os habitantes da Lóren em seus subordinados.
Após a explicação de Willian, Victor começou a raciocinar: Se existem Djelwrys, Auris e Tilly, então existem diferenças. E se as diferenças são os principais causadores de problemas na sociedade, então de que adianta ser um Auri, se sempre haverão pensamentos de superioridade e inferioridade?
Naquele momento, uma forte pancada, semelhante a um trovão fortíssimo, soou no ar. Novamente silêncio absoluto!. Uma fenda (idêntica àquela vista na Lóren) surgiu acima de sua cabeça e o sugou para dentro..., Luz. Victor agora estava em um corredor bastante iluminado. Ele não conseguia enxergar nada além de luz. Entretanto, sentia uma brisa muito forte em seu rosto. Estava mais leve. Parecia flutuar. Tentou relaxar e aproveitar aquela brisa sensacional, quando ouviu-se uma voz áspera; temerosa:
Seja bem-vindo Victor. Zotrí agora é um Halie (lê-se réli). Antes que zotrí comece a perguntar, apenas ouça o que tenho a dizer e depois faça zotrica escolha. Não existe nenhum Tilly. O que existem são parâmetros. Parâmetros que desde o início da era dos homens, prevalece e faz com que as pessoas sejam alienadas de alguma coisa. Infelizmente, isso acabou contaminando até mesmo os mais inteligentes (Auris), mas nunca contaminará um Halie, pois um Halie observa além desses parâmetros; consegue compreender que o âmago universal jamais será satisfeito. Por isso, zotrí obteve a chance de escolher o seu Hype.
Compreendido os fatos, Victor repentinamente vê-se em frente as 3 Lórens, com ele presente nas duas primeiras ( 10 anos e atualmente, respectivamente), e na terceira ( um homem com um pano sobre a cabeça). Atrás dele, havia o mesmo corredor iluminado que há pouco estava presente. Ao seu redor... breu!
- Victor, qual será sua escolha? Questiona a voz.
- Como assim? Refuga Victor.
- Em zotica frente, poderá escolher entre continuar zotrica vida (Lóren do meio) ou viver da forma em que zotrí sempre sonhou (Lóren da direita; do homem cujo pano está sobre a cabeça). Em zotrico dorso (corredor iluminado), zotrí optará por ser o Halie do reduto Poslavk. Zotrí se tornará na única fonte que mostrará para os habitantes da Lóren, e até mesmo do Reduto, o “complicado valor da simplicidade”. Viverá assim em pleno equilíbrio até que o Hype de alguém tome zotrico lugar.
- Mas e depois, para onde irei? Interroga Victor.
- Zotri conhece a resposta, mas não percamos mais tempo, pois chegou a hora. Victor, qual será zotrico Hype?
Depois de um tempo de reflexão, Victor respondeu:
- Gostaria de continuar minha humilde vida.
- Zotri tem certeza?
- Sim, responde novamente.
- Muito bem!, como é zotrica escolha, eu não posso interferir. Mas lembre-se: Jamais selecione as amizades. Apenas limite-as, pois são elas as principais responsáveis pelo controle cultural.
Dado o lembrete, um clarão raiou e Victor fechou seus olhos. Ouviu-se então o som de um telefone. Abriu rapidamente os olhos e percebeu que estava em sua casa, sentado em sua poltrona reclinável, serena e aconchegante; a revista que lia estava agora em seu colo. Levantou-se e foi atender ao telefone. Não era ninguém.
Victor percebeu então que tudo não passara de um sonho, mas ele ainda não entendia o porquê havia escolhido aquela opção. Refletiu por um instante e convenceu-se de que sua escolha foi a mais sublime, pois tudo o que ele almejara em sua vida era a busca da felicidade( amorosa, financeira, ou seja, conquistas pessoais), mas se essa felicidade fosse, digamos, “encontrada”, qual seria então o propósito de sua vida?
Complicado? É, eu sei!, mas se você obtiver a resposta, esteja preparado para conhecer o Reduto Poslavk. Mas não se esqueça: Victor era um Halie.
Na cidade de Cozmay (lê-se cosmai), Victor era aquele típico filho exemplar: ótimo aluno, romântico namorado, querido por todos...; porém, possuia um pequeno defeito: gostava da boemia. Naquela época, um menino de 26 anos não poderia fazer algo tão grave assim. A sociedade repudiava, e muito; inclusive os seus amigos. Após perceber que até seus amigos o excluiam, Victor decidiu “desaparecer” um pouco, pois esse era o único meio pelo qual ele seria procurado. Suas “desaparecidas” eram sempre para a casa de seu tio Donadôn , que morava em Siat (cidade próxima a Cozmay).
Donadôn era o irmão mais novo da mãe de Victor. Tinha 37 anos e era casado com Telma. Sua casa era o local ideal para a leitura de um livro, para a prática de estudos, para ouvir músicas, enfim, para uma série de coisas legais. As alternâncias entre Cozmay e Siat estavam tornando Victor em , por incrível que pareça, uma pessoa mais culta. Ao decorrer do tempo, ele carregava consigo cada vez mais e mais “íngüas” relacionadas aos acontecimentos da vida. Ficava indignado com os fatos que se sucediam naquela sociedade.
Até que certo dia, Victor estava em sua casa, sentado em sua poltrona reclinável, serena e aconchegante, lendo uma revista, quando subtamente ouviu-se um som. Um som Árvido e irritante; tão irritante quanto aquele encômodo causado pela olvidez de uma palavra no meio de uma conversa, sabe? Pois bem, ouvia-se, mas não sabia de onde vinha. Victor levantou-se da poltrona e foi a procura do som para interrompê-lo. Na mesma hora, toca seu telefone: Trim! Trim!... Trim! Trim!
- Alô? Quem é?
- Victor, sou eu...Willian
- Tudo bem Willian? Como...
Victor, cale a boca e ouça: saia já daí. Estou em frente a sua casa lhe esperando. Interrompe Willian com uma voz bastante ansiosa, desligando o telefone posteriormente.
Rapidamente Victor se trocou (em meio aos ruídos nauseantes), pegou seus pertences e saiu em disparada. Chegou ao portão e avistou Willian, que já estava a sua espera.
Vamos? Pergunta Willian
Pra onde? Interroga Victor.
Apenas entre no carro.
Ao entrar no carro, iniciaram-se as explicações:
Victor, há muito tempo, um homem chamado Stansky Poslavk, foi capaz de superar a barreira entre o real e o imaginário. Ele descobriu que nós não vivemos nessa vida, e sim, somos apenas seres subordinados, quase comparados a uma mercadoria.
Hã? Indagou Victor.
Sim, somos fruto de um experimento que toma conta de vidas humanas. Através de um Tilly, eles são capazes de influenciar as pessoas a tomarem decisões. Mas isso não ocorrerá conosco, pois fomos selecionados a viver no Reduto Poslavk.
-Ainda não entendi. Reafirma Victor
- Então veja você mesmo. A uns 4 km dali, havia uma ponte que ligava Cozmay a Siat. Willian dirigiu seu carro até a parte inferior da ponte, onde residiam alguns inativos, vagabundos. Desceram do carro e Willian gritou para uma das crianças que estavam brincando com uma família de cães sarnentos: - Qual seu nome?
- Luan. Respondeu a criança.
Willian então repete a pergunta: - Qual seu nome?
Antes mesmo do menino responder, willian sacou um objeto muito parecido com uma medalha e mirou em direção aos olhos do garoto. Uma luz muito brilhante apareceu e ofuscou momentaneamente a visão de Victor. Depois de um tempo ele percebeu que a luz era uma passagem, só não sabia para onde ela levava.
Vamos Victor. Venha conhecer o Reduto Poslavk. Não tenha medo, confie em mim. Diz Willian, passando muita confiança a Victor.
Ao entrar na passagem, ele viu um corredor branco, mas havia um som (o mesmo que ele havia ouvido em sua casa, porém, com o volume cada vez mais alto) que o ensurdecia. Até que... PZIU! Um estouro estrondecedor; seguido de um silêncio absoluto, irreconhecível. Ao voltar a si, Victor se encontrou em uma fila indiana com milhões e milhões de pessoas. A fila era protegida por uma gosma gelatinada de tonalidade azul (semelhante ao azul do fogo) e fora da gosma... um breu!, um nada.; um nada “inimaginável”. Era impossível avistar o fim daquelas camadas. Suas filas eram infinitas. Lateralmente, notou que existiam mais duas camadas idênticas à que ele estava. A sua esquerda, estava ele (sim, ele mesmo), só que com 10 anos. Espanto! Victor acenou..., o chamou..., porém, o Vick (apelido de infância) estava intacto, rígido como um colosso, olhos fixados na nuca do menino a sua frente. A sua direita haviam homens e mulheres com panos escuros sobre a cabeça, impossibilitando a visualização de suas faces; mas Victor nem prestou muita atenção, pois estava bestificado com aquele cenário.
O que é isso? Como eu vim parar aqui? Pergunta ele para si próprio.
De repente, uma fenda aparece por trás da gosma. Parecia um pergaminho enrolado, do tamanho de uma perna (na posição horizontal). O pergaminho se desenrolou, fazendo um barulho semelhante ao de um esmiríl, transformando-se em uma porta, onde do outro lado se encontrava Willian. Willian estava diferente. Estava ruivo e trajava uma malha de cetim cinza que lhe cobria todo o cadáver.
- Saia da Lóren e venha conhecer o Reduto, Victor. Disse Willian.
Ao cruzar a porta, Victor agora tinha seus cabelos ruivos e trajava uma malha de cetim amarela. Descobriu que as cores das malhas baseavam-se nas preferidas de cada um. O lugar era estranho. Um lugar onde todas as cores eram fracas e sem muita tonalidade. Um horizonte interminável estava a sua frente. Ao seu lado, pequenos poliedros juntos, formavam uma espécie de república. Uns 20 poliedros para cada lado. Dentro das “repúblicas”, somente pessoas ruivas com malhas variadas.; Não havia sol. O tempo era nublado e opaco. Ouvia-se apenas ruídos incessantes parecidos com o som emitido pelo estralo dos dedos.
- Que som é esse? Questionou Victor, com seus pensamentos trafegando em sentidos desgovernados.
- Este é o Reduto Poslavk. É aqui que nós, Auris, vivemos.
- Nós? Auris? Hesitou Victor
- Sim. Auris são as pessoas capazes de descobrir, através da sabedoria, o Reduto Poslavk. Somos também os responsáveis pelo desenvolvimento do Harmmabin dos Djelwrys. Harmmabin é o mesmo que Q.I.; já Djelwrys são os habitantes da Lóren, ou seja, são as pessoas que vivem na sociedade hoje. ( todos presentes naquela fila).
- Certo, mas o que é uma Lóren? Questiona Victor.
- É cada uma daquelas camadas cubulares e gosmentas que você viu antes de chegar no Reduto. Elas privam os seres humanos de raciocinarem por si só. A Lóren é o exímio meio pelo qual o Tilly influencia toda a sociedade, tomando conta de todas as mentes. Esses subordinados são chamados de Djelwrys.
- E o que é um Tilly? Novamente questiona Victor.
- É um ser malígno que deseja comandar o Reduto, assim, ele teria total condição de persuadir qualquer ser humano, até mesmo nós Auris. O Tilly é o ser mais inteligente de todos e se ele conseguir o domínio sobre os Auris, as sociedades virarão ruínas. Mas não se preocupe, pois é pouco provável que ele domine nossas mentes.
- Então quer dizer que eu sou um Auri porque consegui me libertar da Lóren através de minha sabedoria?
- Exato!; seja bem-vindo ao Reduto! conclui Willian.
Victor ainda não havia se acostumado àquele ambiente de clima tosco e som desagradável, mas, naquela hora, ele sentia um orgulho muito grande de si mesmo. Havia um Glamour em seu olhar. Victor estava feliz e triste: feliz por conseguir provar para si o próprio valor, e triste porque gostaria que Donadôn estivesse ali presente.
Agora entendida toda a trama que envolve Lórens, Djelwrys, Auris e Tilly, Willian e Victor continuaram andando pelo Reduto. Durante a caminhada, Victor surpreendeu-se ao ver pessoas famosas ( todas ruivas)como: Albert Einstein, Bob Marley, Che Guevara, Elvis Presley, o Papa, Santos Dummont, entre vários outros. Mas o que mais chamou a atenção foi que, logo ali, dentro de um poliedro, estava nada mais nada menos que Adolf Hitler. Hitler não era apenas um Auri, era sim um dos que mais conseguiam converter Djelwrys em Auris. Uma enorme dúvida pairou sobre a cabeça de Victor, até que ele, já inquieto, interrogou:
- Como Hitler é um Auri se ele foi um dos maiores aniquiladores de todos os tempos?
- Hitler sempre foi uma pessoa de altíssimo Harmmabin. Isso fez com que todos os seus planos funcionassem. Mas como ele conseguiu tanto apoio? Simples, Hitler elaborava seus planos juntamente com a alta cúpula ariana, que na verdade eram protótipos do Tilly. Os protótipos estão presente na Lóren não só como pessoas, mas também como objetos, animais, músicas, etc. Esses protótipos são os responsáveis pelas influencias das sociedades, tornando os habitantes da Lóren em seus subordinados.
Após a explicação de Willian, Victor começou a raciocinar: Se existem Djelwrys, Auris e Tilly, então existem diferenças. E se as diferenças são os principais causadores de problemas na sociedade, então de que adianta ser um Auri, se sempre haverão pensamentos de superioridade e inferioridade?
Naquele momento, uma forte pancada, semelhante a um trovão fortíssimo, soou no ar. Novamente silêncio absoluto!. Uma fenda (idêntica àquela vista na Lóren) surgiu acima de sua cabeça e o sugou para dentro..., Luz. Victor agora estava em um corredor bastante iluminado. Ele não conseguia enxergar nada além de luz. Entretanto, sentia uma brisa muito forte em seu rosto. Estava mais leve. Parecia flutuar. Tentou relaxar e aproveitar aquela brisa sensacional, quando ouviu-se uma voz áspera; temerosa:
Seja bem-vindo Victor. Zotrí agora é um Halie (lê-se réli). Antes que zotrí comece a perguntar, apenas ouça o que tenho a dizer e depois faça zotrica escolha. Não existe nenhum Tilly. O que existem são parâmetros. Parâmetros que desde o início da era dos homens, prevalece e faz com que as pessoas sejam alienadas de alguma coisa. Infelizmente, isso acabou contaminando até mesmo os mais inteligentes (Auris), mas nunca contaminará um Halie, pois um Halie observa além desses parâmetros; consegue compreender que o âmago universal jamais será satisfeito. Por isso, zotrí obteve a chance de escolher o seu Hype.
Compreendido os fatos, Victor repentinamente vê-se em frente as 3 Lórens, com ele presente nas duas primeiras ( 10 anos e atualmente, respectivamente), e na terceira ( um homem com um pano sobre a cabeça). Atrás dele, havia o mesmo corredor iluminado que há pouco estava presente. Ao seu redor... breu!
- Victor, qual será sua escolha? Questiona a voz.
- Como assim? Refuga Victor.
- Em zotica frente, poderá escolher entre continuar zotrica vida (Lóren do meio) ou viver da forma em que zotrí sempre sonhou (Lóren da direita; do homem cujo pano está sobre a cabeça). Em zotrico dorso (corredor iluminado), zotrí optará por ser o Halie do reduto Poslavk. Zotrí se tornará na única fonte que mostrará para os habitantes da Lóren, e até mesmo do Reduto, o “complicado valor da simplicidade”. Viverá assim em pleno equilíbrio até que o Hype de alguém tome zotrico lugar.
- Mas e depois, para onde irei? Interroga Victor.
- Zotri conhece a resposta, mas não percamos mais tempo, pois chegou a hora. Victor, qual será zotrico Hype?
Depois de um tempo de reflexão, Victor respondeu:
- Gostaria de continuar minha humilde vida.
- Zotri tem certeza?
- Sim, responde novamente.
- Muito bem!, como é zotrica escolha, eu não posso interferir. Mas lembre-se: Jamais selecione as amizades. Apenas limite-as, pois são elas as principais responsáveis pelo controle cultural.
Dado o lembrete, um clarão raiou e Victor fechou seus olhos. Ouviu-se então o som de um telefone. Abriu rapidamente os olhos e percebeu que estava em sua casa, sentado em sua poltrona reclinável, serena e aconchegante; a revista que lia estava agora em seu colo. Levantou-se e foi atender ao telefone. Não era ninguém.
Victor percebeu então que tudo não passara de um sonho, mas ele ainda não entendia o porquê havia escolhido aquela opção. Refletiu por um instante e convenceu-se de que sua escolha foi a mais sublime, pois tudo o que ele almejara em sua vida era a busca da felicidade( amorosa, financeira, ou seja, conquistas pessoais), mas se essa felicidade fosse, digamos, “encontrada”, qual seria então o propósito de sua vida?
Complicado? É, eu sei!, mas se você obtiver a resposta, esteja preparado para conhecer o Reduto Poslavk. Mas não se esqueça: Victor era um Halie.
GLOSSÁRIO:
OLVIDEZ = IMPORTAÇÃO DA PALAVRA OLVIDAR, PARA USO NO DIÁLOGO EM PORTUGUÊS. OLVIDAR = ESQUECER
ZOTRÍ = PRONOME DE TRATAMENTO DOS HALIES. SIGNIFICA O MESMO QUE VOCÊ
ZOTRICA = PRONOME DE TRATAMENTO DOS HALIES. SIGNIFICA SUA, VOSSA.
ÂMAGO UNIVERSAL = DESEJOS DE CADA SER HUMANO
HYPE = DESTINO
ZOTRICO = PRONOME DE TRATAMENTO DOS HALIES. SIGNIFICA SEU, VOSSO.
CONTROLE CULTURAL = MANEIRAS, MODOS PESSOAIS
IMPORTANTE:
TODOS OS NOMES USADOS PARA OS INDIVÍDUOS DO REDUTO, OU PARA SUAS CARACTERÍSTICAS, SÃO NOMES CRIADOS E ALGUNS JÁ EXISTENTES. QUALQUER SEMELHANÇA É MERA COINCIDÊNCIA.
Grato as pessoas que deram-me a liberdade de usufruir de seus nomes.
Por: Denis Eduardo M. Miguel.
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